terça-feira, 22 de maio de 2018

Índice


Literário: Um blog que pensa


(Espaço dedicado ao Jornalismo Literário e à Literatura)


LINHA DO TEMPO: Doze anos, um mês e vinte e quatro dias de existência.


Leia nesta edição:


Editorial – Livros em série.

Coluna Á flor da peleEvelyne Furtado, crônica, “Para manter um grande amor.

Coluna Observações e reminiscênciasJosé Calvino de Andrade Lima, crônica, “O reformador João Calvino”.

Coluna Do real ao surreal – Eduardo Oliveira Freire, conto, “Rumo às estrelas”.

Coluna Porta AbertaAlcides Buss, poema,Meus livros”.

Coluna Porta Aberta – Pedro du Bois, poema, “Lado de fora.


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DESAFIO E PROPOSTA

Meu desafio está atrelado à proposta que tenho a fazer. Explico. Diz-se que a internet dá visibilidade a escritores e facilita negócios. É isso o que quero conferir. Tenho um novo livro, dos mais oportunos para um ano como este, de Copa do Mundo de Futebol. Seu título é: “Copas ganhas e perdidas”. Trata-se de um retrospecto de mundiais disputados pelo Brasil (que disputou todos, por sinal), mas não sob o enfoque do profissional de imprensa que sou, mas de um torcedor. É um livro simultaneamente autobiográfico e histórico, que relata como e onde acompanhei cada Copa do Mundo, de 1950 a 2014, da minha infância até meus atuais 75 anos de idade. Meu desafio é motivar alguma editora a publicá-lo, sem que eu precise ir até ela e nem tenha que contar com algum padrinho, apenas pela internet, e sem que eu tenha que bancar a edição (já que não tenho recursos para tal). Insistirei nesta tentativa até que consiga êxito, todos os dias, sem limite de tempo. Basta que a eventual editora interessada (e espero que alguma se interesse, pois o produto é de qualidade) entre em contato comigo no inbox do Facebook ou pelo e-mail pedrojbk@gmail.com. A proposta e o desafio estão lançados. Acredito que serei bem sucedido!!!

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CITAÇÃO DO DIA:

Tempo destruidor 

Tempus edax omnium rerum (o tempo tudo destrói).

(Ovídio, livro !Metamorfoses").



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Obs.: Se você for amante de Literatura, gostar de escrever, estiver à procura de um espaço para mostrar seus textos e quiser participar deste espaço, encaminhe-nos suas produções (crônicas, poemas, contos, ensaios etc.). O endereço do editor do Literário é: pedrojbk@gmail.com. Twitter: @bondaczuk. As portas sempre estarão abertas para a sua participação.

Editorial - Livros em série


Livros em série


Há escritores que se especializaram (e se consagraram) em escrever livros em série, com histórias diferentes, mas envolvendo sempre um mesmo personagem central. Claro que essa “figura” tem que ser, digamos, “carismática” e, principalmente, cair no gosto do leitor. Parece fácil, não é verdade? Contudo não é. Houvesse a facilidade que alguns supõem que haja, muitos romancistas, presumo que a maioria, optaria por esse procedimento.

É verdade que não são poucos os escritores que adotaram (e ainda adotam) essa linha temática, esse fio condutor. Posso citar, por exemplo, o caso de Sir Conan Doyle, com sua dupla tão conhecida (há quem ache, inclusive, que se tratem de personagens de carne e osso e não inventados pelo autor), Sherlock Holmes e Doutor Watson. Querem mais um, ou melhor, no caso mais uma? A grande dama dos contos policiais e de mistério, Agatha Christie, é exemplo característico disso, com o enigmático, baixinho, feioso, careca, mas eficiente detetive Hercule Poirot. Aliás, ela escreveu diversas séries e criou, portanto, vários personagens que “estrelaram” mais de uma aventura.

Seriam só esses dois a se valerem desse recurso. Longe disso. Citaria, nesse caso, um outro britânico, como os dois mencionados, que foi Ian Fleming, com seu dinâmico, elétrico e que muitas vezes descamba para o mágico (e até inverossímil) Agente 007. Limito-me a estes três, por serem, disparado, os mais conhecidos dos escritores que recorreram, com sucesso, a esse expediente, criando personagens que se tornaram “cults” e que engordaram, logicamente, suas respectivas contas bancárias.

Claro, se forçarmos a memória, lembraremos centenas de outros autores (provavelmente muito mais) que optaram por esse exercício e se deram bem. Para que o sucesso que alcançaram fosse viável, era indispensável que seus livros anteriores esgotassem várias edições. Se fossem fiascos, evidentemente, inviabilizariam a sequência. Sem o sucesso comercial, seria impossível não só transformar a história inicial em série, mas, provavelmente, publicar qualquer outra obra. Afinal, para o desgosto dos puristas, editar livros é um negócio (do ponto de vista de vendas) como outro qualquer. Requer rentabilidade e retorno do investimento. Ou não?!

No Brasil, o caso mais característico de enredos seriados foi o de Monteiro Lobato. E ele não criou apenas um personagem forte para viver “n” aventuras, mas vários, como Dona Benta, Tia Anastácia, Pedrinho, Narizinho, Visconde de Sabugosa, Marquês de Rabicó e, principalmente, sua grande estrela, a bonequinha de pano, falante (e põe falante nisso!) e cheia de artimanhas, que foi a Emília. Escreveu para crianças, mas conquistou todos os tipos de público. Pudera! Era um gênio literário.

Esse procedimento, ou seja, o de utilizar um (ou vários) personagens “fortes” em diversas histórias, implica em inúmeros riscos e requer, por consequência, toda a sorte de cautelas. O autor, por exemplo, tem que cuidar para não se contradizer. Ou seja, para não descrever, num livro, o tal personagem como sendo alto e em outro, como baixo. Ou loiro em um volume e mulato no outro. E vai por aí afora. E não só isso. Tem que cuidar para não se repetir.

Os livros em série mais em evidência, atualmente, são os da hiper, super, mega bem sucedida escritora britânica J. R. Rowling, com seu incrível e notável Harry Potter. Há já bom tempo essa coletânea de histórias se tornou obsessão, mania, febre , loucura virtualmente mundial, quer nas livrarias, quer nas telas do cinema.

A série da também inglesa, Stephenie Mayer, com seu séquito de vampiros, lobisomens e quetais, igualmente conquistou multidões, e também nos cinemas. O que acho desse tipo de literatura? Como entretenimento, aprovo-o plenamente. Divirto-me com livros com essas características. Já como fonte de ideias que me suscitem reflexões.... Bem, deixa pra lá!

Uma das estrelas em evidência dessa forma de ficção é uma norte-americana. Trata-se de Sara Shepard, que a exemplo dos outros escritores que mencionei, vem esgotando edições após edições com sua série “Pretty Little Liars” , vagamente centrada em sua experiência de vida, notadamente da sua juventude na Filadélfia. Os enredos centram-se nas aventuras de quatro adolescentes, que têm que driblar misteriosa perseguidora, conhecida como “A”. De fato, ela não ameaça a vida dos quatro jovens. Sua ameaça é a de revelar seus segredos mais sombrios que, se revelados, arruinariam suas reputações.

Dos dez livros da série, apenas os quatro primeiros já chegaram ao Brasil, ou seja “Maldosas”, “Impecáveis”, “Perfeitas” e “Inacreditáveis”. Curiosamente, como vocês certamente notaram, é que todos os títulos, de cada um dos quatro volumes, são constituídos por uma única palavra. E não somente os desses que foram traduzidos para o português, mas também os dos outros seis, que ainda não foram: “Wicked”, “”Killer”, Hearthless”, “Wanted”, “Twisted” e “Ruthless”.

Sara Shepard prepara-se para capitalizar, ainda mais, seu sucesso editorial, mas agora na televisão. No entanto, para isso, não irá adaptar sua tão bem sucedida série “Pretty Little Liars” para a telinha. Ela já prepara uma nova, intitulada “The lying game”. Seu plano é que esse seriado seja composto por apenas quatro volumes, mas todos a serem adaptados para a TV.

O enredo vai centrar-se em duas irmãs gêmeas, separadas na maternidade logo após o nascimento. O primeiro desses livros já está pronto e a história completa, em capítulos, será exibida pela Rede ABC. A estréia, inclusive, já tem data marcada: 15 de agosto de 2011. Será sucesso na certa. Isso é que é saber promover livros, o resto é conversa pra boi dormir.

A TV, certamente, divulgará ainda mais não apenas a série mostrada na telinha, mas também a anterior, “Pretty Little Liars”. E Sara está errada em proceder assim e fazer tamanho estardalhaço? Não, não e não! Claro que não! Afinal, quem foi que determinou que é proibido um escritor ganhar dinheiro (e, no caso, muito dinheiro) com o fruto do seu talento, do seu trabalho e da sua imaginação?!

Boa leitura!

O Editor.

Acompanhe o Editor pelo twitter: @bondaczuk

Para manter um grande amor - Evelyne Furtado


Para manter um grande amor

Por Evelyne Furtado


Para manter um grande amor não deixe que ele se vá, mas não o amordace; abrace-o. Não o acomode; acolha-o. Não o desafie; conquiste-o. Não o ponha num pedestal; mantenha-o bem ao seu alcance. Não acumule mágoas, discuta respeitosamente sobre o que lhe desagrada. Reconheça quando pisar na bola, mas não se deixe humilhar pelo outro.

Viva esse amor com zelo, cumplicidade e uma boa dose de clemência. Nunca, mas nunca mesmo, deixe o ser amado encurralado, pois a mais dócil das criaturas vira fera quando sem saída, ou pior, amofina, morre e quem ama não mata, não é? Não confunda orgulho com amor-próprio. Essa confusão costuma ser fatal para o amor.

Não se deixe escravizar, nem escravize quem você ama. Agradem-se mutuamente, sem que precisem concordar com tudo que o outro quer, diz ou pensa. Afaguem-se sempre. Vale cheiro na nuca, bilhetinhos apaixonados, mãos unidas no cinema, cafuné, abraços, beijos e amassos.

Não estimule o ciúme, se quiser evitar uma briga feia, e tente não se tornar um ciumento patológico. Não castigue o seu amor, essa função educativa é dos pais, dos professores e da própria vida. Demonstre seu desconforto, permita que o outro se explique e deixe a raiva passar. Não entre em competição por nada nesse mundo, pois se há um lugar no qual competir não tem a menor importância esse lugar é a relação amorosa. Aqui o amor é o único campeão. Quem ama aplaude a vitória do outro e por seu lado avança também.

Não duvide da força do amor, mas não o deixe ao Deus dará. Ele precisa de dois para vingar. E ame por inteiro o seu amor, não adianta amar apenas as qualidades; nem amar só nos bons momentos. É aconselhável enfrentar os maus momentos para conservar esse amor, assim como convém valorizar cada encontro, cada gozo, cada olhar. Para manter um grande amor vale uma prece. E nos casos dos amores adormecidos, como se refere às crises amorosas, um querido trovador, me vem à memória o poema Prece de Fernando Pessoa, que fala de saudade e de esperança nos versos a seguir:

"Senhor, a noite veio e a alma é vil.
Tanta foi a tormenta e a vontade!
Restam-nos hoje, no silêncio hostil,
o mar universal e a saudade.

Mas a chama, que a vida em nós criou,
se ainda há vida ainda não é finda.
O frio morto em cinzas a ocultou:
A mão do vento pode erguê-la ainda".

Se ainda assim o amor não resistir, pode ter sido amor, pode ter sido verdadeiro, só não foi possível conservar. Então, cai bem o respeito ao amor vivido. Trate-o com carinho e consideração. Mantenha as boas lembranças levando o melhor que viveram em algum lugar no coração.

Mas, como romântica incurável, fico aqui torcendo e rezando. Que vença o amor e que sejam abençoados os leitos de todos os amantes.

* Poetisa, cronista e psicóloga em Natal/RN.


O reformador João Calvino - José Calvino de Andrade Lima


O reformador João Calvino

* Por José Calvino de Andrade Lima

Está havendo grande polêmica sobre João Calvino – o reformador de Genebra (1509/1564). Tenho em fac-símile a reprodução da edição 1597 de “Juan Calvin Instituição da religião cristã (Reforma)”. Aos que censuram Calvino por haver alcançado, tão moço ainda, encargos eclesiásticos, é conveniente lembrar que tal era a praxe da igreja naquela época. Devido à posição que ocupou, não faltaram adversários que procurassem, em seus livros, deturpar a memória de Calvino e muitas das calúnias então formuladas ainda são hoje invocadas pelos partidários de credos contrários.

Lendo Bolsec: “Historie de la vie, moeurs, actes, doctrine, constance et mort de Jean Calvin”. O erudito historiador eclesiástico, Schaff, no seu livro “The Swiss Reformation” - 1º vol. p. 303, observa não haver Bolsec produzido nenhum documento comprobatório sobre a mocidade de Calvino. Ainda sobre as intrigas de Bolsec: Schaff cita: "A história ou é uma vil calúnia ou se originou de confundir-se o reformador com um jovem de igual nome, Jean Cauvin - Capelão da mesma igreja de Noyon, condenado a prisão por ter introduzido em sua paróquia uma mulher de maus costumes”.
..
A interferência de Calvino se fez sentir em toda organização de Genebra. A cidade progrediu debaixo de seus conselhos. Cuidou-se da higiene e do asseio das habitações, das ruas e dos mercados. Foi proibida a mendicância etc. A ociosidade foi reprimida e providenciou-se para que todos tivessem trabalho digno. Houve, também, as disputas doutrinárias, cartas e acusações anônimas no livro “Castellio contra Calvino”, de Stefan Zweig.

Em Genebra, começou a discórdia, Castellio não concordava com aquela severidade na disciplina nem com certas opiniões teológicas do reformador. Apareceu um livro contra Calvino, sob o pseudônimo de Martinus Bellius, que se supôs ser o próprio Castélio... No caso do médico Miguel Serveto, em Genebra, condenado às chamas, o reformador Calvino e seus colegas pleitearam pela mitigação do suplício: a espada em lugar da fogueira. "A morte de Serveto não era culpa especialmente de Calvino, mas a baixeza comum do Cristianismo europeu!", afirma Coleridge. Schaff, no seu 2º vol. obra citada p. 839, adianta que Calvino não se deixava absorver pelos bens materiais. Rejeitou até aumento de estipêndio, recusava presentes e vivia com muita sobriedade...

* Escritor e dramaturgo.

Rumo às estrelas - Eduardo Oliveira Freire


Rumo às estrelas

* Por Eduardo Oliveira Freire

O pai vivia na biblioteca, diziam para não o atrapalhar. Ouvia a mãe comentar que ele era um acadêmico brilhante.  A menina foi crescendo sem se importar com a ausência paterna. Tinha coisas interessantes para fazer, como brincar no jardim e desenhar imagens que brotavam da sua imaginação. 

Em uma noite, ela ouviu algo bater na janela do quarto e encontrou um unicórnio. Interagiram através do olhar; a garota subiu no dorso nu do animal e voaram rumo às estrelas. 

A partir desse momento, encontraram-se todas as noites até o dia em que o pai faleceu. 

Mesmo que a menina deixasse a janela aberta, a criatura nunca mais voltou.       


* Formado em Ciências Sociais, especialização em Jornalismo
cultural e aspirante a escritor - http://cronicas-ideias.blogspot.com.br/



Meus livros - Alcides Buss


Meus livros

* Por Alcides Buss

Os livros me olham
à espera de gestos
que os façam mover-se.

Dependem de mim
pra viver!

Se os tomo e abro
não tardam a entreter-me
e, depois, dominar-me.

Silencioso embate
se estende por horas
e horas.

Quando deles enfim
me livro, estão
já dentro de mim.

É esse peso
que levo, fazendo
mover-me pra frente.

Às vezes, porém,
me elevam
à superfície da luz.


* Poeta e professor universitário

Lado de fora - Pedro du Bois


Lado de fora

* Por Pedro du Bois

Após o receio
tormenta
raios
trovões
a falta de sorte

estarei no meio da rua
enquanto tiver medo

após o recreio
recomeça a tormenta
aulas
sessões
a falta de norte

junto à janela
olho absorto
o lado de fora.

* Poeta, autor do livro “Brevidades”, lançado através do Projeto Passo Fundo – blog HTTP://pedrodubois.blogspot.com.br